22 out 2025

Uma carta para a ansiedade

Querida ansiedade,

tem dias que eu nem quero saber que você existe, mas é quando você mais aparece. Quanto mais eu te nego, mais você traz sensações indesejadas no meu corpo que me fazem perder o controle.

Os dias parecem não ter fim quando você está por perto.

Sempre um último pensamento sobre onde eu errei hoje, um último pensamento sobre a lista de tarefas de amanhã para garantir que não esqueci de nada, um último pensamento sobre aquela vez há 3 anos que falei algo que não deveria para um amigo e ele ficou magoado, um último pensamento para ser o último pensamento porque dizem que não é bom se julgar o tempo todo e, quando vi, já são 3am e eu não fiz nada o dia inteiro.

O tempo nunca é suficiente com você. Como se nunca fosse dar tempo de fazer as mil e uma atividades que você planejou.

Viver com você é sempre viver o amanhã antes do hoje. É ter medo da chuva e se esconder, antes mesmo de saber se ela vai cair. É se desesperar com milhões de cenários cruéis que nunca irão acontecer e deixar de agir. É sempre querer saber quanto falta para a linha de chegada e deixar de curtir o processo.

Mas confesso que às vezes você me gera alguns elogios. “Você é muito proativa”, “caramba, você deve ser muito inteligente por terminar as tarefas tão rápido”, “você é super comunicativa”, “você é tão organizada” e o que eu mais gosto “como você dá conta de fazer tudo isso?”.

A verdade é que eu não “dou conta”. É tudo você. A parte boa e a parte ruim. As quinhentas listas planejando, a imaginação de todos os cenários que podem dar errado e as estratégias para eles, o medo de contar sobre mim e ser julgada escondido de “falar um monte de outras informações para ninguém perceber que eu sou tímida”. E às vezes dói. Às vezes é difícil me manter na mesma frequência que você me exige.

Mas eu tento.

E talvez seja isso que me impulsione para frente. Talvez seja isso que me faça querer acordar as 5am para fazer exercício antes de enfrentar horas de trabalho. Talvez seja isso que me faça não perder prazos. Talvez seja isso que me faça viver.

Claro. Temos momentos ruins também. Mas sinto que a cada dia te escuto mais e aprendo que é mais fácil lidar com você, do que negar que você existe.

Até a próxima pausa.

Bianca