Essa semana tive a oportunidade de ir em um Congresso fora do Brasil e uma coisa me chamou MUITA atenção.
NINGUÉM estava vestindo blazer. Não, nem o principal palestrante, nem o cara que é a maior sumidade universal no tema. Inclusive, esse mesmo "cara” passou mais de 2h da palestra descalço. Sim, andando só de meias (de bolinhas) pelo palco.
Eu não sei o quanto isso te abala, mas para um congresso da área da saúde isso é chocante. Por algum motivo, em algum momento da história do paulistano (ou será que é uma coisa de brasileiro?) alguém falou uma frase pretensiosa em inglês que parecia conhecimento legítimo (afinal, é em inglês):
“Fake it until you make it.”
E o que as pessoas ouviram foi: "bota um blazer aí que vai te dar um ar de autoridade".
Mas, por algum motivo, isso não colou comigo. Hoje em dia, ver alguém de blazer em um contexto de aprendizado só me passa uma sensação de distanciamento. É como se quisessem se esconder atrás de uma (frágil) capa de conhecimento para dizer “eu falo, vocês escutam e concordam com a cabeça para não mexer com a minha autoridade (frágil)".
Talvez eu tenha um problema com autoridades (ou com blazers). Mas e daí?!
Outro dia estava discutindo algo parecido com o querido amigo e mentor RENATO STEFANI e, como sempre, com palavras sábias, ele nomeou exatamente o que eu estava querendo dizer. Ele me disse a seguinte frase “eu chamo isso de vaidade (…) no pior sentido da palavra”.
Pois é, talvez o paulistano (ou o brasileiro?) seja mesmo vaidoso. Em São Paulo, eu sinto o quanto é difícil para qualquer pessoa se deixar tão vulnerável ou tão humanizado, principalmente diante de uma audiência.
Talvez isso tenha relação com a forma como enxergamos o trabalho. Em São Paulo é muito comum a sua identidade se basear no que você trabalha, mas não no quão interessante você é fora desse contexto. Em São Paulo, parece que vivemos para trabalhar e nem sempre trabalhamos para viver.
E se você me falar "ta, tudo bem, entendi seu ponto, mas o que fazemos para sermos menos vaidosos? Qual é o oposto de vaidade?”
Bom, depois de refletir muito e vivenciar inúmero momentos incomuns não só no congresso, mas no dia a dia das pessoas, só tem uma palavra que vem à minha cabeça: autenticidade. E, para mim, esse é o oposto de vaidade.
É justamente por sermos autênticos, por sermos nós mesmos, que permitimos que as pessoas entrem, que elas se sintam em casa, que se conectem com a parte mais profunda e verdadeira do nosso ser. E, para isso, ás vezes são necessários apenas pequenos gestos.
Quando o palestrante simplesmente tirou o sapato e começou a aula, eu senti que ele era como eu, como nós (a audiência), e não um ser de uma mentalidade genial e inalcançável. Senti que era completamente possível um ser humano como eu atingir níveis de excelência como o dele.
Uma vez eu li uma frase do Joel Jota:
“Pessoas precisam de pessoas”
E eu me peguei pensando nessa frase porque são pequenos momentos como esses que humanizam as pessoas, criam laços, criam conexões verdadeiras, porque são momentos como esses que mostram vulnerabilidade, que mostram a inteligência "natural”. E em uma era na qual as redes sociais e a inteligência artificial reinam é muito cansativo encarar o tempo todo vidas falsas, conversas rasas e mensagens sem sentimentos e significados.
Nós, como seres humanos, já deveríamos ter passado da fase da caverna na qual tudo parece tão grande, idealizado e intimidador. Isso já saiu de moda faz tempo. Pessoas precisam de conexões, precisam sentir calor humano, precisam sentir empatia pelos outros, precisam se sentir compreendidas, precisam se sentir inspiradas por outros seres humanos. E isso só é possível fazer sendo autêntico.
Ser você é o que você tem de bem mais precioso. Não deixe ninguém estragar isso. Abrace sua autenticidade como se fosse seu maior tesouro.
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Até a próxima pausa,
